08 janeiro, 2010

QuimeraShare #01

Mais uma novidade do Un Quimera pro ano 2010 é o QuimeraShare.

A exemplo do QuimeraTube, o QuimeraShare é voltado pra música.

E começo hoje com o álbum Cruel, de Sérgio Sampaio, lançado em 2006 pela Saravá Discos.

Sérgio Sampaio é considerado um maldito da MPB, pouquíssima gente conhece sua obra, e é por essas e outras que começo o QuimeraShare com ele, tem muita coisa boa que ficou esquecida.

Como compositor ele é ímpar, na minha opinião pelo menos, está no TOP de compositores do cenário nacional.

O disco Cruel é póstumo, foi outro grande compositor da MPB, o maranhense Zeca Baleiro que organizou tudo e nos proporcionou esse belo álbum.

Fã incondicional de Sampaio, Baleiro, além de já ter gravado algumas canções de Sérgio, foi buscar no fundo do baú algumas gravações antigoas e as reuniu nesse álbum.

Destaco como as principais canções do disco, a música título, que já foi regravada por Luiz Melodia, a música de abertura Em Nome de Deus, que já foi regravada por Chico César, Rosa Púrpura de Cubatão, já regravada por João Bosco, Pavio do Destino, já regravada por Lenine e a genial Real Beleza.

"Eu nunca pensei que pudesse querer alguma mulher como quero você, se o mago soubesse e juntasse o meu nome em S ao seu nome em C, nas cartas de todo tarô que houver, em todo ixingue eu podia não ver, mas tudo é tão verde em seus olhos não dá pra não ver, mas tudo é tão verde em seus olhos..."

Tá aí o link do primeiro QuimeraShare:

06 janeiro, 2010

1968 - O Ano Que Não Terminou


"É muito bom o livro de Zuenir Ventura. A conversa sabida nos meios da elite jornalística era que Zu ia fazer um trabalho de carregação, com apenas dez meses de preparo. Picas. O texto é cuidadíssimo. Quem escreve sabe que aquilo que lá
está foi reescrito "n" vezes. É a melhor coisa que Zuenir já escreveu."

E com essa citação do jornalista Paulo Francis que começo o post/resenha que fala do livro 1968 - O Ano Que Não Terminou do também jornalista Zuenir Ventura.

Todos sabem que o ano de 1968 é cercado por vários fatos históricos no Brasil e no mundo, foi um ano em que muita coisa mudou, seja ideologicamente, seja politicamente e o livro de Zuenir é uma reflexão e uma recordação daquele período, com ênfase no que viveu o autor, o 1968 brasileiro.

Tudo começa em um reveillon da virada de 67 para 68 na casa do casal Luís e Heloisa Buarque de Holanda, uma festa que
reuniu boa parte dos intelectuais brasileiros daquela época, começar o ano daquela maneira já mostrava como aquele seria um ano que ficaria marcado.

Depois, cronologicamente, Zuenir vai relembrando cada momento importante do ano de 1968, situando o leitor naquele momento, com depoimentos e citações de quem viveu aquele período, como por exemplo Luís Carlos Lacerda, o Bigode, que disse:

"Você não pode imaginar o que sofria uma pessoa como eu, que era comunista,homossexual e transava droga."

Alguns episódios ocorridos no ano são essenciais para a história e para o livro, um deles é a morte do estudante Edson Luís Lima Souto, baleado no peito por um soldado da PM após um confronto no restaurante estudantil do Calabouço.
A repercussão do fato atingiu a todos naquele momento, a narrativa da missa de sétimo dia alguns capítulos adiante também é muito interessante.

Pouco tempo depois desse episódio veio outro muito importante, relatado no capítulo "E todos se sentaram", foi a famosa passeata dos cem mil, comandada pelo líder Vladimir Palmeira, o líder que fez, literalmente, todos se sentarem no meio-fio antes de começar a passeata e depois discursou coisas assim:

"A ditadura mais descarada adora leis, deixa eles fazerem leis. Façam uma, duas, três constituições, instalem e depois amordacem um, dois, três congressos. A gente deixa, pessoal. Mas, a gente sabe que não hoje, mas até o fim desta luta a gente derruba uma, duas, três constituições e faz nova lei e nova assembléia, porque esta assembléia não resolve problema de ninguém. Mas, minha gente, não pense que aplaudir e gritar "abaixo a ditadura" é uma vitória. Hoje a repressão não veio porque não pôde. E a nossa vitória é esta: ter saído na raça porque achava que tinha que sair. Mas a gente vai voltar pra casa, o estudante pra aula, operário pra fábrica, repórter pro jornal, artistas pro teatro. E é em casa, no trabalho, que a gente vai continuar a luta. Eu quero botar isso em votação: a gente vai continuar esta luta?"

Sim tudo isso é muito bonito, ficou para a história e merece muito respeito, mas aos poucos o Movimento Estudantil e as camadas comunistas, principais "combatentes" na luta contra a Ditadura foram se equivocando, rachas e desentendimentos nesses grupos também são narrados, outro episódio importante é narrado no capítulo "Que Juventude é essa?", quando Caetano Veloso, durante o III Festival Internacional da Canção escancarou e deixou claro pra juventude da plateia que muita coisa estava errada:

"Vocês tem coragem de aplaudir este ano uma música, um tipo de música, que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado; são a mesma juventude que vai sempre, semre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada!"

Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho é outra personagem importante do livro, foi o homem que impediu que um diabólico plano do brigadeiro João Paulo Burnier se concretizasse.

Também é narrado um confronto entre os estudantes de direita da Mackenzie contra os estudantes de esquerda do curso de Filosofia da USP, a perseguição à peça Roda Viva, de Chico Buarque, em Porto Alegre e o fracassado XXX Congresso da UNE, num sítio em Ibiúna, São Paulo.

Este episódio em especial expõe muito da desorganização e desunião que existia dentro do Movimento Estudantil.

E depois de tudo isso, na parte final do livro Zuenir conta com muitos detalhes os dias que antecederam o decreto do AI-5, o que acabou sendo o grande fato do ano.

Como a aparente vitória do deputado Márcio Moreira Alves, na véspera do decreto do AI-5 se transformou em uma enorme derrota, o próprio Costa e Silva, então presidente do Brasil, na reunião que colocou em voto o AI-5 disse:

"Eu confesso que é com verdadeira violência aos meus princípios e idéias que adoto uma atitude como esta."

Mas mesmo assim o AI-5 se transformou em realidade e algumas de suas primeiras vítimas são lembradas no capítulo final do livro.

O livro termina, mas 1968 não, este ainda ressoa atualmente por tudo que aconteceu nele, e se tudo não aconteceu da melhor maneira possível lá, que os erros sirvam para a minha geração ou para gerações futuras como aprendizado.

E pra fechar o post vale lembrar a canção que se transformou em hino para a geração de 1968:

04 janeiro, 2010

QuimeraTube #01

Uma das novidades do Un Quimera para o ano de 2010 é o QuimeraTube.

O QuimeraTube vai funcionar da seguinte maneira: duas vezes por mês colocarei aqui vídeos do youtube de músicas que eu estou escutando naquele momento, portanto pode sair qualquer coisa porque meu gosto musical é bem variado, vai do hardcore ao samba...

E hoje vou começar com um Folk, Mallu Magalhães, com uma das músicas do CD novo dela que eu mais gostei, Make it Easy:

01 janeiro, 2010

Un Quimera 2.0


"La vie ne vaut d'être vécue sans amour"

31 dezembro, 2009

Os "acontecimentos" de Dezembro/2009

COP 15

Então, a deixa foi dada alguns dias atrás aqui no Un Quimera, um poeminha que era o prenúncio de um dos "acontecimentos" do mês.

Com certeza um dos "acontecimentos" mais importantes do ano, o chamado COP 15.

Encontro das maiores lideranças mundiais na cidade de Copenhague, Dinamarca, realizado entre os dias 7 e 18 de dezembro.

O sentimento de frustração fiocu no ar, mas vou tentar explicar o porquê disso e dar uma pincelada também na questão principal do encontro.

O negócio é o seguinte: a COP 15 aos poucos foi ganhando enormes proporções, seria uma reunião que selaria um acordo para substituir o famoso Protocolo de Kyoto, onde os países assumiriam metas de redução da emissão de gases tóxicos na atmosfera.

Mas as metas não foram assumidas, principalmente porque EUA e China, os dois maiores poluídores, o primeiro por problemas no Congresso, o segundo sem motivos muito sólidos, não conseguiram chegar a um acordo e isso, de uma forma ou de outra meio que destimulou os outros países.

A conferência foi acontecendo, os dias passando e nada de muito bom foi decidido, nos últimos dias algumas atitudes um tanto quanto desesperadas de Obama e Lula até aconteceram, mas não foi o bastante.

O representante do Sudão, Lumumba Stanislas Dia-Ping qualificou o acordo como opior da história, Lula disse: "Não houve acordo porque os países ricos ficaram muito presos à posição dos Estados Unidos, que tinha uma meta que nem foi aprovada pelo Congresso ainda".

Opiniões a parte, o "acordo", com conteúdo mínimo e sem unanimidade por parte dos países participantes é, no mínimo, como disse Barack Obama, insuficiente.

As expectativas agora voltam-se para a COP 16 que será realizada entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro de 2010, na Cidade do México.

O tempo passa e a questão ambiental, que até algum tempo atrás era assunto só de ambientalistas e ecologistas agora torna-se algo de suma importância para todos, o aquecimento global, o aumento no nível dos mares, etc e etc, tudo isso não é história, é realidade e acordos mais sólidos e comprometidos precisam ser assinados.

Operação Caixa de Pandora
O tempo passa, o ano vai acabando, mas no Brasil parece que os esquemas de corrupção nunca acabam.

Este "acontecimento" na verdade teve seu desenrolar iniciado no fim do mês de novembro, mas achei válido colocá-lo aqui nos "acontecimentos" de dezembro.

A Operação Caixa de Pandora investiga o possível caso de mensalão no DEM, envolvendo diretamente o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Arruda que em 2001 já esteve presente nas manchetes da corrupção: na época, ele e o então senador já falecido Antônio Carlos Magalhães renunciaram ao cargo para não serem cassados, depois de um escândalo de violação do painel do Senado.

Dessa vez as desculpas são as mais variadas possíveis, desde de supostos "defeitos" nos gravadores até compra de panetonnes, tudo foi utilizado para tentar encobertar o esquema de propina.

Mas existem imagens que valem mais do que qualquer desculpa, e de todas as imagens (dinheiro na meia, na cueca, etc...) a que eu considerei a mais "indignante" foi a dos deputados Rubens César Brunelli (PSC) e Leonardo Prudente (DEM) e do então secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, se abraçando e rezando depois de terem conversado sobre como seria a divisão do dinheiro.

Na boa, é revoltante isso!

Ano após ano, quase que semestre após semestre um novo esquema de corrupção, ou algum tipo de sujeira aparece no cenário político brasileiro. Sempre tento ver o outro lado, pensar em como muitos eleitores erram feio na hora de votar, não sabendo escolher bem o seu candidato, não se informando direito, mas tem horas que não dá pra ficar cobrando apenas do eleitor, o político também tem que fazer a parte dele!

Ano novo, vida nova; uma bela ilusão que muitos cultivam nessa virada de ano, do jeito que vai a vida nova na Política brasileira nunca chegará, vale lembrar mais uma vez: o ano que começa amanhã é um ano de Eleição, tá na hora de mudar, ou pelo menos tentar mais uma vez, mudar toda esta sujeira.

Em relação a Operação Pandora, ela ainda está em curso, e também já foi pedido o impeachment de José Roberto Arruda, agora é esperar o desenrolar disso e torcer pra que não acabe em pizza dessa vez.

29 dezembro, 2009

Você

Você é...
O fruto de um amor verdadeiro e abençoado,
uma vida nova que abriguei no ventre,
choro suave que interrompia madrugadas de sono,
sorriso doce espalhando otimismo no lar.

Você é...
desenvolvimento sadio,
autor de peraltices e anedotas,
menino travesso e cativante,
semente de honestidade,
promessa de homem realizado e vitorioso,
razão de lutas e conquistas minhas.
Ser humano que devo educar.

Você é...
meu filho!

Esse poema está presente no livro "Nas Asas do Pensamento", primeiro e único livro lançado por minha, contém somente poesias de autoria dela, e hoje, dia 29 de dezembro, seria aniversário dela, mas há 10 anos ela se foi, fica aqui essa homenagem pra essa mulher com quem eu pouco convivi, mas sei que fez tudo por mim e que se orgulharia muito em ver seu único filho também escrevendo poemas.

"Mãe, o amor que eu tenho por você é seu, oh, mãe, o amor que eu tenho por você é seu, como é seu o meu aniversário."

25 dezembro, 2009

A Lente e a Janela

É com um curta do Porta Curtas que o Un Quimera deseja um Feliz Natal a todos, o curta é bem interessante, é quase uma metalinguagem de uma menina com uma câmera na mão, que olha pela janela e filma, e vê muitas coisas, não dá pra descrever muito, só vendo e ententendo mesmo: